Gemas

Ela tinha 20 "e poucos anos". Não gostava de definir. Vivia pela família, pelos amigos. Tinha histórias de vida incríveis, apesar de seus círculos limitados. Era de uma inocência que chegava a incomodar (mas ela mesmo não se incomodava).

Era fácil de estar ali, mas difícil de ter, chamar de sua. Dizia - com um pouco de orgulho - que nunca havia sido de ninguém, "até onde se lembrava". Demonstrava fraquezas sintomáticas, arrependimentos. E, de novo, quando falava sobre sua vida, a inocência se sobressaía - e esbarrava em uma sinceridade desconcertante.

Ela era, mas não muito.

Seus instintos sexuais eram evidentes, mas não se entregava. Disso vinha seu charme, a vontade que inspirava em quem queria tê-la. E ela parecia administrar essa vantagem em um conta-gotas.

Se fosse uma cor, seria mostarda. Se fosse um dia, seria quinta. Se fosse um advérbio, seria quase.
...

Ele era expansivo. E de uma passionalidade que chegava a incomodar (mas ele mesmo não se incomodava). Sua beleza estava no charme, quase magnético. Mesmo fora de si, dizia as palavras certas - ou pelo menos aquelas que o momento pedia.

Sabia ser ridiculamente romântico, exagerado. Facilmente apaixonável.

Entregava-se desde o começo: não era difícil ouvi-lo falar em namoro, casamento, "uma vida feliz para sempre, sabe?". Fazia planos o tempo todo, e não media esforços. Era difícil saber até que ponto podia-se acreditar nele, separar a porção dos fatos e dos desejos. Mas era sincero, honesto, estava completamente ali - ou queria estar. Ele era um caso raro, uma edição piloto.

Se fosse uma cor, seria amarelo ouro. Se fosse um dia, seria sábado. Se fosse um advérbio, seria muito.

Um comentário: